Pensamento em construção: Excurso sobre as possíveis maquinações metodológicas de Sérgio Ferro para orientar Estudos de Produção em Arquitetura, Projeto e Trabalho

  • João Marcos de Almeida Lopes Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (São Carlos)
Palavras-chave: Sérgio Ferro, Canteiro e Desenho, Estudos de Produção

Resumo

A obra escrita do professor, arquiteto e pintor brasileiro Sérgio Ferro tem sido cada vez mais visitada, estudada e comentada, não só no Brasil e na França – país em que se exilou, ao deixar o Brasil no início dos anos 1970, em virtude da ditadura civil-militar que se abateu sobre o país naquele período – como também em outras partes do mundo. A atenção dedicada à obra teórica de Ferro parece decorrer da forma como ele aborda seus objetos e lhes dá um tratamento crítico e teórico, particularmente instruída pela Economia Política, pela Lógica hegeliana e pelo materialismo dialético marxiano. Tomando como ponto de partida as bases materiais de sua produção, tanto da arquitetura como das artes plásticas, seus campos de investigação e reflexão histórica e teórica avançam por campos até então insondados, recolocando em julgamento concepções já consagradas e largamente consolidadas. Este trabalho ensaia algumas conjeturas sobre as estratégias metodológicas do autor, buscando estabelecer referências para a instituição de um novo campo de estudos em Arquitetura, Projeto e Trabalho, que estamos denominando Production Studies.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

João Marcos de Almeida Lopes, Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (São Carlos)

Professor Titular no Instituto de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (São Carlos). Coordena o Grupo de Pesquisa em Habitação e Sustentabilidade. Doutor em Filosofia e Metodologia das Ciências pela Universidade Federal de São Carlos

Referências

ARANTES, Pedro Fiori. Arquitetura Nova: Sérgio Ferro, Flávio Império e Rodrigo Lefèvre, de Artigas aos mutirões. São Paulo: Editora 34, 2002.

BAXANDALL, Michael. Padrões de intenção: a explicação histórica dos quadros. São Paulo: Companhia das Letras, 2006 [edição original 1985].

CORIAT, Benjamin. “O processo de trabalho do tipo ‘canteiro’ e sua racionalização”. Ata do Colóquio “Le travail en chantiers”. São Paulo: mimeo (tradução Jorge Oseki, revisão João Sette Whitaker Ferreira), 1983.

CONTIER, Felipe. “História da arquitetura a contrapelo”. In A história da arquitetura vista do canteiro – três aulas de Sérgio Ferro. São Paulo: GFAU, 2010.

FERREIRA, José Abílio (org.) Tebas: um negro arquiteto na São Paulo escravocrata. São Paulo: IDEA, 2018.

FERRO, Sérgio. O canteiro e o desenho. São Paulo: Projeto Editores Associados, 1982 [edição original 1979].

___________ . Arquitetura e trabalho livre. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

____________ . A história da arquitetura vista do canteiro – três aulas de Sérgio Ferro. São Paulo: GFAU, 2010.

____________ . Michelangelo: arquiteto e escultor da Capela dos Médici. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2016.

____________ . “Concrete as weapon”. Harvard Design Magazine, v.46, p. 160-08/161-33 (encarte) 2018

____________ . A construção do desenho clássico. Grignan: mimeo (originais em preparação para publicação), 2020.

GORELIK, Adrián. “Apresentação”. In LIRA, José. Warchavchik: Fraturas da vanguarda. São Paulo: Cosac Naify, 2011, p.21-23.

HARVEY, David. Para entender O capital. São Paulo: Boitempo, 2013

KANT, Immanuel. Prolegómenos a toda metafísica futura. Lisboa: Edições 70, 1988 [edição original 1783].

KAPP, Silke; LLOYD THOMAS, Katie; LOPES, João Marcos de Almeida. “How to look at architecture from 'below'”. Harvard Design Magazine, v.46, p. 160-01/161-06 (encarte), 2018.

KOURY, Ana Paula. Grupo Arquitetura Nova – Flávio Império, Rodrigo Lefèvre, Sérgio Ferro. São Paulo: Romano Guerra/EDUSP, 2003.

LLOYD THOMAS, Katie; AMHOF, Tilo; BEECH, Nick. Industries of Architecture. London: Routledge, 2015.

LOPES, João Marcos; LIRA, José. Memória, trabalho e arquitetura. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo - EDUSP, 2013.

MARCUSE, Herbert. Razão e revolução: Hegel e o advento da teoria social. São Paulo: Paz e Terra, 2004 [edição original 1941].

MARX, Karl. O capital: crítica da economia política: Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo, 2013 [edição original 1890].

MENDONÇA, Thais Carneiro de. Técnica e construção em Ramos de Azevedo: a construção civil em Campinas (Mestrado). São Carlos: Escola de Engenharia de São Carlos – USP, 2010.

MORA, José Ferrater. Dicionário de Filosofia (4 volumes). São Paulo: Edições Loyola, 2004 [tradução referente à sexta edição, de 1976].

PIRENNE, Henri. História econômica e social da Idade Média. São Paulo: Editora Mestre Jou, 1968 [edição original 1933].

REIS, João José. Ganhadores: a greve negra de 1857 na Bahia. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

SCHENKMAN CONTIER, Raquel Furtado. Do vitral ao pano de vidro: o processo de modernização da arquitetura em São Paulo através da vidraçaria (Mestrado). São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo – USP, 2014.

SHIMBO, Lucia Zanin. Habitação social, habitação de mercado: a confluência entre Estado, empresas construtoras e capital financeiro (Doutorado). São Carlos: Escola de Engenharia de São Carlos – USP, 2010.

TROCATE, Charles; COELHO, Tádzio. Quando vier o silêncio: o problema mineral brasileiro. São Paulo: Fundação Rosa Luxemburgo, Expressão Popular, 2020.

Publicado
2020-12-08
Como Citar
Lopes, J. M. de A. . (2020). Pensamento em construção: Excurso sobre as possíveis maquinações metodológicas de Sérgio Ferro para orientar Estudos de Produção em Arquitetura, Projeto e Trabalho. arq.Urb, (29), 91-100. https://doi.org/10.37916/arq.urb.vi29.483
Seção
Artigos