Arquitetura como práxis: apontamentos sobre o legado da Arquitetura Nova

Palavras-chave: Arquitetura brasileira, Arquitetura Nova, Arquitetura e política

Resumo

A separação entre desenho e canteiro, identificada pela Arquitetura Nova como a clivagem do conflito entre capital e trabalho, opera hoje em uma realidade aumentada. O papel do arquiteto é o de um ilusionista que reduz a complexidade do trabalho arquitetônico à busca pela singu-laridade, um processo no qual o capital é reificado e reproduzido infinitamente através da circulação generalizada de imagens. Contra essa condição, o trabalho da Arquitetura Nova oferece um método. Como grupo eles exerceram uma forma radicalmente coletiva de projeto contra a autoria, e colocaram o saber dos trabalhadores no centro dos processos de projetação e construção. Além disso, eles transformaram a lacuna entre o sujeito real e aquele imaginado pela sua teoria e prática na substância do seu projeto político. O arquétipo da abóbada, em sua própria forma material, expõe e reivindica a arquitetura como conhe-cimento comum produzido coletivamente: arquitetura como práxis, ação racional critica.

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Biografia do Autor

Davide Sacconi, Syracuse University

Arquiteto e curador, diretor do Syracuse Architecture London Program, professor visitante no Royal College of Art em Londres e fundador de CAMPO, espaço pela arquitetura em Roma. Graduado pela Università degli Studi di Roma Tre, mestre pelo Berlage Institute de Rotterdam, é doutorando na Architectural Association de Londres.

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Publicado
2020-12-08
Como Citar
Sacconi, D. . (2020). Arquitetura como práxis: apontamentos sobre o legado da Arquitetura Nova. arq.Urb, (29), 31-40. https://doi.org/10.37916/arq.urb.vi29.487
Seção
Artigos