Trajetórias de Marina Harkot: da mobilidade para subjetividade, interseccionalidade como abordagem, territorialidades enlaçadas com afetos

Autores

  • Paula Freire Santoro Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo https://orcid.org/0000-0002-3168-0868
  • Letícia Lindenberg Lemos Universidade de São Paulo
  • Larissa Lacerda Universidade de São Paulo https://orcid.org/0000-0002-4357-6988
  • Bruna Ferreira Montuori Royal College of Art https://orcid.org/0000-0001-7688-1105
  • Maria Claudia Kohler Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
  • Paulo Fernando Garreta Harkot Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.37916/arq.urb.vi38.685

Palavras-chave:

Planejamento Urbano, Territórios, Subjetividades

Resumo

Este artigo foi escrito a várias mãos por pessoas que conviveram a acompanharam as trajetórias de Marina Harkot, pesquisadora que teve sua vida ceifada brutalmente em 8 de novembro de 2020 após um atropelamento quando retornava para casa de bicicleta em São Paulo. Marina foi muitas e em seus 28 anos de vida contribuiu para a pesquisa em planejamento urbano como socióloga, ciclista, ativista, envolvida em pautas como gênero e mobilidade ao longo de sua jornada. Neste artigo recuperamos suas trajetórias de pesquisa a partir de três eixos centrais: (1) da mobilidade para subjetividade; (2) interseccionalidade como abordagem; e (3) territorialidades enlaçadas com afetos. Os três eixos apontam para o olhar de Marina e seu reconhecimento que subjetividades importam no pensamento urbano bem como a expressão de identidades, experiências do corpo, expandindo a visão generalizada do medo para a multiplicidade de afetos que permitem a (re)existência de territórios marcados por discriminação e opressão na metrópole.

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Publicado

2023-12-15

Como Citar

Santoro, P. F., Lemos, L. L., Lacerda, L., Montuori, B. F., Kohler, M. C., & Garreta Harkot, P. F. (2023). Trajetórias de Marina Harkot: da mobilidade para subjetividade, interseccionalidade como abordagem, territorialidades enlaçadas com afetos. arq.Urb, (38), 20–30. https://doi.org/10.37916/arq.urb.vi38.685

Edição

Seção

Artigos